• Sexta-feira , 7 Agosto 2020

Paulo Daniel Watanabe

Esta postagem foi publicada em 10 de Abril de 2020

Última atualização: 19:37

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Entrevistamos Prof. Paulo Daniel Watanabe, professor do Curso de Relações Internacionais, fala um pouco sobre o que esta acontecendo no mundo e as dificuldades que mundo principalmente o Brasil, deve enfrentar.

Atualmente é professor do curso de Relações Internacionais e de Administração (Comércio Exterior) da Universidade São Judas (USJT), onde também ministra disciplinas internacionais (em inglês)

Doutor em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP/UNICAMP/PUC-SP) na área Segurança Internacional. Mestre em Relações Internacionais pelo mesmo programa. Estuda a região Ásia/Pacífico, com ênfase na política externa e segurança do Japão. Graduado em Relações Internacionais pelo Unicentro Belas Artes de São Paulo (FEBASP).

Essa polarização que estamos vivendo no Brasil, pode ser um agravante para nossa Democracia no Futuro?

Isso depende de como analisamos essa polarização. Se considerarmos que há apoiadores da situação e apoiadores da oposiçao, isso é algo natural e saudável a um ambiente democrático. Contudo, o que vemos é, em muitos casos, uma violência verbal generalizada, em que os lados se declaram superiores e donos da verdade. A tecnologia aprofundou a participação popular na política, contudo, trouxe consigo alguns problemas, como as fake news e a personificação das soluções para o país.

Qual será dificuldade para Politica Externa Brasileira nos próximos anos?

Mostrar que o Brasil é um Estado sério e com propósitos legítimos e assertivos na política externa. O que vemos atualmente é uma política externa sem objetivos, deixando a “vida levar”. Tivemos um excelente período de política externa na década passada e, se compararmos com hoje, nem parece o mesmo país. A dificuldade de todos os governos e do próprio Itamaraty é transformar a política externa do Brasil em política de Estado, pois ela vem sendo tratada como política de governo.

Como as Forças Armadas enxergam o posicionamento do presidente da república, Jair Bolsonaro, no que diz respeito a dimensão de risco à segurança pública da nova pandemia do vírus COVID-19 em solo Brasileiro? Tendo em vista a resistência do mesmo a aceitar medidas sugeridas pela própria OMS.

Eu acredito que o presidente esteja se isolando dentro do próprio governo. Existem assuntos que são insustentáveis, principalmente quando se coloca em risco a saúde pública.

Com essa Pandemia do Covid-19, A China pode ser responsabilizada por não ter avisado ou emitido um alerta mundial para a própria OMS, você acredita que o mesmo pode receber punição das Nações Unidas?

Jamais. Não se deve responsabilizar nenhum Estado por pandemias naturais. Não vejo nenhuma possibilidade ou sentido em punir ou responsabilizar a China. Além de tudo, a China é uma potência no comércio internacional. Quero ver qual país teria coragem de sustentar isso. Temos que ver além das instituições internacionais e suas normas. Temos que entender a política do poder.

Com o surgimento de novas tecnologias de ponta e acesso as informações através da rede mundial de computadores e agora Internet da Coisa, (Conectando sua casa a um dispositivo móvel que vai controlar tudo), além das informações pessoais e informações de segredos de Estado no caso do hackeamento de Autoridades e Chefes de Estados, como expôs Edward Snown. A Diplomacia Brasileira esta preparada para lidar com o Cyber Terrorismo e crimes digitais mais complexos. assim como Ministério da Defesa.? O curso de Relações Internacionais, poderia capacitar os alunos para esse tipo de formação. Qual sua Opinião Sobre esses dois assuntos.

Acredito que o Brasil, no geral, não está preparado para esse tipo de ataques. Nunca houve grandes preocupações ao ponto de se criar uma forte política pública de segurança cibernética. O curso de RI no Brasil tem diversas possibilidades e diversos desafios. Certamente, poderia ser uma área aplicada à segurança cibernética, mas isso demanda investimento.

Qual será o desafio para o Curso de Relações Internacionais nos próximos anos? Você acredita em uma evolução da qualidade dos cursos hoje oferecidos?

O desafio é inserir o profissional em outras áreas de atuação. A formação em RI é multidisciplinar e consegue ser aplicada a muitas áreas, desde engenharia até saúde. A maior parte dos egressos do curso vão para a área de gestão e negócios, mas há muito mais para fazer. Acredito muito na evolução do curso, principalmente agora que as grandes empresas estão reconhecendo o diferencial do internacionalista.

Maior desafio na sua opinião será. Economia ou Política?

Ambos. Na minha visão, não conseguimos consertar a economia sem a política. Acredito que o atual governo não tenha tempo para organizar tudo como prometia, principalmente por aspectos políticos. Além disso, a pandemia diminuiu muito a chance de recuperação econômica.

Ano de 2020 um ano perdido, ou um ano para ser lembrado e estudado por diversas áreas. O que podemos aprender com isso.?

Nas aulas de RI, eu menciono que esse ano vai marcar o aspecto da cooperação entre os países. A Covid19 é uma doença que não reconhece fronteiras, logo, é fundamental essa rede internacional de cooperação que vemos hoje, em que os países reconhecem a importância do intercâmbio de conhecimento, produtos e tecnologia. Acredito que esse cenário será um grande exemplo de cooperação.

Uma dica de livro, serie e filmes que você indicaria para os seus alunos, pode ser pessoal ou relacionados ao curso de Relações Internacionais ou disciplina que você leciona.

Um filme muito legal é “13 dias que abalaram o mundo que mostra a negociação entre EUA e URSS durante a crise dos mísseis.

Brasil ainda e líder na América Latina e Sul, ou já perdeu esse protagonismo para outro Estado? Isso tem a ver com a fraca politica externa exercida pelo Ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo.

Acredito que, por conta de seu tamanho, história e economia, o Brasil ainda seja uma referência de liderança. Contudo, a situação política suja muito a imagem internacional do país. Naturalmente, o Brasil sempre vai ter um peso de destaque na América Latina, mas seu protagosnismo já teve dias melhores. Acredito que nesse governo, a imagem brasileira esteja cada vez pior. Não temos uma política externa sensata com a nossa realidade. Criaram tantas crenças infundadas sobre a nossa política externa do passado, que parece que estão fazendo apenas o oposto, mesmo que não haja benefício.

A saída do Reino Unido da União Europeia qual benefício e maleficio para Reino Unido?

Certamente, o Reino Unido deixa de participar da maior integração regional do mundo. Contudo, temos que ver que o Reino Unido sempre foi o membro que menos quis se integrar. Sempre mostrou resistência para políticas comuns. Já era esperada uma mudança dessa natureza desde o Tratado de Lisboa de 2008/2009.

BRICS e Mercosul ainda tem força?

Os Brics, a meu ver, se tornaram referências de um grupo de Estados amigos. Não vejo mais como uma força política pós ocidental e questionadora da atual ordem.  Acredito que falta coesão entre seus membros. Sobre o Mercosul, acredito que não seja prioridade do Brasil. O olhar para o sul já foi importante para o Brasil, mas não é mais. No raciocínio atual, vale muito mais a pena o Brasil investir em relações com os países mais desenvolvidos. Não digo que está errado ou certo. É apenas uma visão diferente que, a meu ver, não traduz a real potencialidade do Brasil em termos de política externa.

Entrevista feita por Sérgio lima Junior 

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